Uma casa de andar alto com vista privilegiada da cidade, mas com layout compartimentado que desperdiçava o potencial do espaço e bloqueava a entrada de luz.
Demolição das divisórias entre sala de estar, jantar e varanda. Piso contínuo em concreto aparente polido que percorre todos os ambientes sem juntas. Marcenaria fechada nas laterais para liberar a fachada de vidro como único elemento visual de peso. Mobiliário de linhas baixas para não cortar a linha da vista.
De três ambientes menores, um único espaço generoso onde a cidade entra como parte do projeto.
O piso de concreto polido foi a decisão mais estratégica do projeto. Além da estética, ele resolve um problema técnico: em casas de alto padrão com pé-direito generoso, o piso com muitas juntas fragmenta visualmente o espaço. O concreto contínuo faz o ambiente respirar.
A iluminação noturna foi pensada em três camadas independentes: luz geral difusa no teto, luz de tarefa nas bancadas e luz de destaque nos nichos de marcenaria. O morador controla o ambiente sem saber que está controlando, é automático, por cena pré-programada.
Cada peça de mobiliário foi escolhida ou desenhada para não ultrapassar 80 cm de altura nos assentos. Parece detalhe técnico, mas muda tudo: a vista da cidade permanece desobstruída independente de onde o morador esteja sentado.
Hoje a casa funciona como escritório em parte do dia, sala de jantar de até 12 pessoas à noite e espaço de leitura silenciosa nos fins de semana. Nenhuma peça foi movida para isso.
Flexibilidade real não é ter móveis multiuso, é ter um projeto que previu os diferentes modos de uso desde o início.
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